(pra quem não entendeu o título … WTF (What The Fuck), numa tradução livre, consistiria em “Que diabos significa smart money ?

Seu ouvido certamente já foi alvo de um desses termos … “Parceria. Sinergia. Projeto. Bom senso.” Jargões corporativos, que soam bonito, todo mundo fala mas ninguém consegue articular ao certo seu significado.

Smart money” é outro forte candidato a integrar a lista.

Nem tanto pela sua definição genérica: investimento muito além do capital, por pessoas experientes e bem informadas que podem ajudar a moldar o modelo de negócios de startups, oferecendo rede de contatos, metodologia e habilidades. Contrário do “dumb money”: capital não atrelado a conhecimento — um amigo rico, investidor novato, que não “agrega valor” (ops, lá vou eu usando outro jargão 😉).

15 entre 10 investidores vão dizer que seu aporte vai além do dinheiro. Que sua atuação se baseia no tal “smart money”. E como qualquer investidor naturalmente pode, e todos o fazem, se apropriar do adjetivo, na prática ele acaba soando como mais um dos termos vazios do início do texto.

Para nós, essa não é uma mera questão linguística: smart money é simplesmente o nome do nosso fundo Smart Money Ventures. Escolhido não porquê o domínio estava disponível  — o .com.br inclusive não está, por isso usamos o .vc e o .ventures — mas porque desejamos colocar a nossa premissa de atuação logo de início no nome, marca, logo e domínio.

No entanto, até hoje não tínhamos articulado exatamente o que entendemos e praticamos de smart. E por consequência naturalmente vínhamos correndo o risco de sermos percebidos, como mais um fundo ou investidor-anjo com o discurso pronto de smart.

Isso muda com este manifesto.


Nossos ativos e posicionamento

É importante “ter valor” para poder “entregar valor”. Assim, antes de mostrar o aspecto smart da nossa atuação, acreditamos ser importante detalhar os nossos valores e ativos.

Formação
Eu e César nos conhecemos depois de sermos aprovados no concorrido vestibular da Unicamp para Engenharia da Computação. Depois de formados, fizemos especializações (César na BSP, eu na FGV) e tive a oportunidade de cursar o MBA no Vale do Silício na Universidade da Califórnia Berkeley, onde conheci a metodologia Lean Startup e seu criador, Steve Blank. De volta ao Brasil, fui convidado para ser professor visitante de Lean Startup e Empreendedorismo na Unicamp.

Acreditamos que a pesada carga de estudos nos ensinou, acima de tudo, a aprender a aprender. A vivência de 2 anos nos EUA me permitiu aprender e conviver com os melhores talentos, empreendedores, investidores e startups do planeta, enquanto César pôde liderar uma empresa investida por uma corporação global (Mitsubishi Corporation) e todos os seus desafios de gestão, governança e crescimento.

Empreendedores
Nossa jornada empreendedora se iniciou ainda durante o curso de Engenharia de Computação.

César fundou um provedor de internet em 1996. Em 2003, com a Mitsubishi Corporation, fundou a MC1, líder em aplicações móveis para força de vendas na América Latina. Após realizar a internacionalização da empresa, com clientes em toda a América Latina, fez sua saída em 2016.

Eu co-fundei e ajudei a crescer por 12 anos a Movile, um dos casos de sucesso de startups nacionais, já com status de unicórnio (valuation superior a US$1 Bi). A Movile hoje é mais conhecida pelas startups criadas ou compradas pela empresa, tais como o iFood, Sympla, PlayKids e Leiturinha. Em 2015, por ocasião de rodada series D liderado pelo fundo do Jorge Paulo Leman, decidi vender minha participação e novamente “empreender”, mas agora do outro lado do balcão.

Qualquer um pode se dizer empreendedor por ter “aberto um negócio”. Poucos efetivamente podem ser operadores, praticantes e terem efetivamente vivenciado na prática a jornada empreendedora (a) completa — da ideia, aos primeiros projetos, aos clientes, passando pela captação, crescimento e venda com liquidez que nos deu independência financeira, e (b) em uma startup que efetivamente se transformou em empresa de sucesso.

Acreditamos que o fato de termos sido empreendedores nos proporciona o olhar crítico, autoridade, experiência prática, empatia e o decorrente respeito de outros empreendedores que começam sua jornada. Nosso engajamento, críticas e recomendações não são meras opiniões, mas decorrem de aprendizados e exemplos concretos de cenários análogos vividos durante nosso tempo como empreendedores.

Efeito de rede
Os mais de 25 anos como founders e empresários nos permitiu angariar uma riquíssima rede de contatos. Colegas da Unicamp, ex-funcionários, clientes, parceiros e fornecedores, que conheceram, contrataram e lucraram com nossa atuação. E agora, como anjos ativos e também instrutores na Unicamp e nos cursos de formação de investidores Angel.Education, esta rede tem crescido exponencialmente, em quantidade e qualidade, com experts, coinvestidores, alunos, além de empreendedores e membros dos times das startups investidas.

Criada a partir de relações de confiança, forjada ao longo dos anos e mantida ativa a partir da nossa atuação dedicada em tempo integral como anjos, esta rede de contatos é um valioso ativo. Através dela, conseguimos atrair ótimos empreendedores e mais 300 coinvestidores, engajar de experts para análise de oportunidades, abrir portas para vendas e geração de negócios, recrutar talentos para o time de investida,captar futuras rodadas, e também gerar oportunidades de fusões e aquisições para saída de investimentos com lucro.

No próximo post desta série, detalho nossa tese de investimentos, a importância de foco e tempo de qualidade na seleção e gestão do portifólio, nossa metodologia proprietária, nosso papel como investidores líderes, nosso playbook de construção de negócios. Em seguida, articulo porquê tais tópicos são relevantes para nossos 2 principais stakeholders: empreendedores e coinvestidores.

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